Santo TerçoTerça e Sexta

Mistérios Dolorosos do Terço

Os Mistérios Dolorosos contemplam a Paixão do Senhor. Aqui você encontra as passagens bíblicas e reflexões para meditar cada dezena com profundidade e esperança.

Resposta rápida

Os Mistérios Dolorosos são rezados tradicionalmente às terças e sextas. Eles ajudam a rezar a cruz sem desespero: contemplando o amor fiel de Cristo.

Dica prática: anuncie o mistério e reze cada Ave-Maria como um ato de confiança e entrega.

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O que são os Mistérios Dolorosos?

Eles nos colocam diante do caminho da cruz: não como narrativa distante, mas como escola do amor fiel. Ao contemplar a Paixão, aprendemos que Deus não abandona a humanidade na dor — Ele a atravessa por dentro.

Rezar esses mistérios educa o coração para a compaixão: olhar o sofrimento sem endurecer, e responder com fidelidade e caridade.

1º Mistério Doloroso

A Agonia de Jesus no Horto

Mt 26,36–46 (cf. Lc 22,39–46)

Passagem bíblica

“Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice… contudo, não como eu quero, mas como tu queres.”

Mt 26,36–46 (cf. Lc 22,39–46)

Meditação

Este mistério nos coloca diante de um ponto decisivo: quando a vontade de Deus e a nossa vontade parecem se chocar. Jesus não finge serenidade; Ele reza a partir da dor real.

A agonia do Horto revela que a oração não elimina a luta interior — ela transforma a luta em entrega. Em vez de fugir, Jesus permanece; em vez de endurecer, Ele se abre ao Pai.

Há momentos em que o coração quer atalhos: anestesiar a angústia, evitar o confronto, adiar decisões. Aqui aprendemos a fazer o contrário: nomear o medo diante de Deus e escolher a fidelidade.

Rezar este mistério é apresentar ao Senhor o seu ‘cálice’: aquilo que você não controla, o que pesa, o que exige coragem. E pedir a graça de atravessar sem se perder de Deus.

A agonia do Horto revela que a oração não elimina a luta interior — ela transforma a luta em entrega. Em vez de fugir, Jesus permanece; em vez de endurecer, Ele se abre ao Pai.

Pergunta para meditar

qual é o ‘cálice’ que eu tenho evitado encarar com Deus?

Fruto espiritual

conformidade com a vontade de Deus e vigilância.

2º Mistério Doloroso

A Flagelação de Jesus

Jo 19,1 (cf. Is 53,5)

Passagem bíblica

“Então Pilatos mandou flagelar Jesus.”

Jo 19,1 (cf. Is 53,5)

Meditação

A Flagelação nos confronta com a injustiça e com a violência que nasce do medo e da covardia. Jesus sofre sem revidar, mostrando que a força do amor não depende de agressividade.

Contemplar este mistério é reconhecer que o mal quer nos desfigurar — e que Cristo assume essa desfiguração para nos devolver dignidade.

Também é um convite a rever o que nos ‘flagela’ por dentro: culpas antigas, vícios, impulsos, palavras duras, hábitos que machucam. Deus não nos humilha; Ele cura.

Rezar aqui é pedir purificação: que o Senhor desfaça em nós aquilo que fere, e nos eduque para a mansidão firme, capaz de resistir sem se tornar cruel.

Contemplar este mistério é reconhecer que o mal quer nos desfigurar — e que Cristo assume essa desfiguração para nos devolver dignidade.

Pergunta para meditar

que feridas eu preciso entregar para que Deus cure com verdade?

Fruto espiritual

pureza e mortificação dos sentidos.

3º Mistério Doloroso

A Coroação de Espinhos

Mt 27,27–31

Passagem bíblica

“Puseram-lhe uma coroa de espinhos… e zombavam dele.”

Mt 27,27–31

Meditação

A dor aqui não é só física: é a humilhação. É o ataque à identidade. O mundo tenta ridicularizar a verdade, diminuir a santidade, caricaturar a fé.

Jesus aceita ser coroado ‘às avessas’ para ensinar que a realeza de Deus não se sustenta em aplausos. A dignidade de Cristo não depende da opinião dos outros.

Este mistério toca também nossas inseguranças: a necessidade de aceitação, o medo de parecer fraco, o desejo de controlar a imagem. A santidade amadurece quando deixamos de viver reféns de aprovação.

Rezar a Coroação é pedir liberdade interior: que nenhuma zombaria — externa ou interna — roube o que Deus diz sobre você.

Jesus aceita ser coroado ‘às avessas’ para ensinar que a realeza de Deus não se sustenta em aplausos. A dignidade de Cristo não depende da opinião dos outros.

Pergunta para meditar

onde eu busco validação a ponto de perder a verdade do Evangelho?

Fruto espiritual

coragem e desprezo das vaidades.

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4º Mistério Doloroso

Jesus Carrega a Cruz

Lc 23,26–32

Passagem bíblica

“Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.”

Lc 23,26–32

Meditação

Carregar a cruz não é romantizar sofrimento. É aprender que o amor fiel tem peso — e que o peso, quando assumido com Cristo, ganha sentido.

Jesus cai, levanta, continua. O Evangelho não esconde a fraqueza; ele mostra que a perseverança é mais forte do que a perfeição.

Simão de Cirene aparece como graça inesperada: Deus permite ajudas concretas. A cruz não foi feita para ser carregada com orgulho solitário.

Rezar este mistério é perguntar: qual fidelidade eu preciso sustentar hoje? E também: quem eu posso ajudar a carregar um pouco do peso?

Jesus cai, levanta, continua. O Evangelho não esconde a fraqueza; ele mostra que a perseverança é mais forte do que a perfeição.

Pergunta para meditar

qual ‘cruz’ hoje pode ser vivida como amor — e não como revolta?

Fruto espiritual

paciência nas provações.

5º Mistério Doloroso

A Crucifixão e Morte de Jesus

Jo 19,17–30 (cf. Lc 23,33–46)

Passagem bíblica

“Tudo está consumado.”

Jo 19,17–30 (cf. Lc 23,33–46)

Meditação

A cruz é o lugar onde o amor vai até o fim. Jesus não apenas sofre: Ele se entrega. Ele transforma a violência recebida em oferta, e abre um caminho de reconciliação.

‘Tudo está consumado’ não é derrota; é plenitude. É a obra do amor levada à totalidade — mesmo quando, por fora, parece fracasso.

Contemplar a Crucifixão é aprender a medir a vida por outro critério: não pelo controle, nem pelo sucesso imediato, mas pela fidelidade ao bem.

Rezar este mistério é deixar a cruz iluminar suas perdas e dores: Deus não desperdiça lágrimas quando elas são colocadas em Suas mãos. A cruz é passagem.

‘Tudo está consumado’ não é derrota; é plenitude. É a obra do amor levada à totalidade — mesmo quando, por fora, parece fracasso.

Pergunta para meditar

o que eu preciso entregar a Deus para que Ele transforme em vida?

Fruto espiritual

amor a Jesus e espírito de sacrifício.

Como rezar os Mistérios Dolorosos (na prática)

Anuncie o mistério, reze um Pai-Nosso, dez Ave-Marias e finalize com o Glória. Ao contemplar a Paixão, peça a graça de unir suas dores e provações ao amor fiel de Cristo.

Como meditar sem perder a esperança

  • Faça um breve silêncio antes de cada dezena: “Senhor, ensina-me a amar como Tu amas”.
  • Reze as Ave-Marias com uma intenção concreta (uma pessoa que sofre, uma família, uma situação difícil).
  • Conclua cada dezena com um ato de confiança: “Jesus, eu confio em vós”.

Dúvidas frequentes

Em quais dias se rezam os Mistérios Dolorosos?

Tradicionalmente às terças e sextas-feiras.

Posso rezar quando estou desanimado?

Sim. Reze como quem se apoia em Cristo: sem pressa, com verdade, e sem se cobrar perfeição.

O que oferecer ao rezar esses mistérios?

Uma intenção concreta: conversão, cura interior, perseverança, ou por quem sofre.

E se eu me distrair?

Retorne com serenidade. O ato de voltar já é oração.